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ACEI A Casa da Educação Infantil

A creche perdeu 19 mil crianças em um ano nas 27 maiores cidades. A pré-escola perdeu 55 mil

Publicado em 27 de agosto de 2026 · ACEI

Comparando as mesmas 16.493 escolas nos Censos de 2024 e 2025, a matrícula em creche caiu 2,2% e a de pré-escola, que é obrigatória por lei, caiu 5,5%.

Entre o Censo Escolar de 2024 e o de 2025, as 27 maiores cidades do país perderam 19.259 matrículas em creche e 55.361 na pré-escola. A conta é feita nas mesmas 16.493 escolas nos dois anos — nenhuma escola nova entra, nenhuma que sumiu sai. Não é uma amostra: é o conjunto inteiro das escolas de educação infantil das 26 capitais mais Nova Iguaçu que aparecem nas duas edições.

O número da pré-escola incomoda mais que o da creche, e por um motivo simples: pré-escola é obrigatória por lei desde 2016, para toda criança de quatro e cinco anos. Creche não é — é direito de quem pede, não dever de matricular. Uma queda de 5,5% na etapa obrigatória é uma queda em algo que deveria estar cheio.

Os números

Nas 16.493 escolas presentes nos dois Censos 2024 2025 variação
Matrículas em creche (0 a 3 anos) 891.277 872.018 −2,2%
Matrículas em pré-escola (4 e 5 anos) 1.000.113 944.752 −5,5%
Docentes de creche 86.962 86.062 −1,0%
Turmas de creche 72.209 71.058 −1,6%
Crianças por docente na creche 10,25 10,13 −1,2%

Repare no que os docentes fizeram: caíram menos que as matrículas. O resultado é que a razão de crianças por professor melhorou um pouco — de 10,25 para 10,13. Menos criança na mesma escola, com quase o mesmo número de professores, dá turma menor. Isso não é política pública funcionando; é aritmética de uma sala que esvaziou.

A queda não é geral — mas as cidades grandes puxam tudo

Das 27 cidades, 9 tiveram queda em creche e 18 tiveram alta. Se a maioria subiu, como o total cai? Porque as que caíram são as maiores. São Paulo sozinha responde por 40% das matrículas de creche do conjunto, e perdeu 4,9%. O Rio perdeu 3,7%. Belo Horizonte, 3,6%.

Maiores quedas variação Maiores altas variação
Florianópolis −8,7% Nova Iguaçu +9,0%
Palmas −7,8% Teresina +8,2%
São Paulo −4,9% Macapá +7,3%
Maceió −4,3% Aracaju +6,6%
Rio de Janeiro −3,7% Belém +6,4%

Por que a conta que todo mundo faz dá outro resultado

Some as matrículas de todas as escolas de 2024, some as de todas as escolas de 2025, compare. É a conta natural, e ela dá −1,4% em vez de −2,2%. A diferença não é arredondamento: a conta direta mistura duas coisas que precisam ficar separadas — quantas crianças existem e quantas escolas o levantamento alcançou naquele ano.

Onde isso morde forte:

Cidade Conta direta Escolas pareadas Escolas no Censo
Nova Iguaçu +23,5% +9,0% 293 → 297
Manaus +13,4% +2,8% 528 → 536
Recife +11,3% −2,3% 686 → 698

Recife é o caso que decide a discussão. Na conta direta, a cidade ganhou 11,3% de matrículas em creche. Nas 659 escolas que aparecem nos dois anos, perdeu 2,3%. As duas contas estão certas; elas respondem a perguntas diferentes. A primeira diz que o Censo encontrou mais escolas em Recife. A segunda diz o que aconteceu com as crianças que já estavam matriculadas. Quem procura vaga quer a segunda.

É por isso que este site publica a pareada em todas as páginas de cidade, dizendo que é pareada e mostrando a direta ao lado.

O contexto que falta em quase toda reportagem sobre isso

O Brasil registrou 2,38 milhões de nascimentos em 2024, uma queda de 5,8% sobre 2023 — a maior em vinte anos e o sexto ano consecutivo de recuo, segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE divulgadas em dezembro de 2025.

Uma criança que teria quatro ou cinco anos em 2025 nasceu por volta de 2019 e 2020. Uma que estaria na creche nasceu entre 2021 e 2024. As duas coortes vêm de anos em que nasceu menos gente do que no anterior. Matrícula caindo num país onde nascimento cai há seis anos não é, por si só, prova de creche fechando ou de política falhando.

O que o Censo não diz, e nós não vamos inventar: quanto dessa queda é demografia, quanto é família que desistiu da fila, quanto é escola que fechou turma. O levantamento conta matrícula. Ele não pergunta o porquê, e ninguém que só tenha o Censo na mão pode responder isso com honestidade.

O que continua valendo

A meta 1 do Plano Nacional de Educação, na Lei 13.005/2014, mandava universalizar a pré-escola até 2016 e atender ao menos 50% das crianças de até três anos em creche até o fim da vigência do plano — que terminou em 2024. Nenhuma das duas foi cumprida no prazo. Que a matrícula caia agora não muda o tamanho do que falta: muda só o denominador.

Como este número foi apurado

Cruzamos os microdados do Censo Escolar 2024 e 2025 pelo código INEP da escola. Entraram apenas as 16.493 escolas de educação infantil das 26 capitais e de Nova Iguaçu presentes nas duas edições — comparação pareada. A conta direta, de todas as escolas de um ano contra todas do outro, também foi calculada e aparece no texto para mostrar a diferença. Nenhum número foi copiado pronto: todos saem da soma das matrículas escola por escola.

Fontes

  • Microdados do Censo Escolar da Educação Básica 2024 e 2025, INEP.
  • IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgadas em 10 de dezembro de 2025.
  • Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 — Plano Nacional de Educação, Meta 1.

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