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ACEI A Casa da Educação Infantil

Como escolher uma creche: roteiro de visita com as perguntas que importam

Publicado em · ACEI · A Casa da Educação Infantil

Um roteiro para a visita à creche, montado a partir das dimensões de qualidade que o MEC usa: equipe, rotina, espaço, alimentação, família e contrato.

Pais observam, de costas, uma sala de creche com brinquedos enquanto uma educadora apresenta o espaço

A visita é o único momento em que a família vê a creche por dentro antes de deixar a criança lá. É curta — quase sempre meia hora, às vezes menos — e a escola costuma conduzi-la: mostra a sala mais bonita, o parque, a cozinha limpa. Este roteiro existe para que a família chegue com as perguntas prontas e saia com respostas que dá para comparar entre uma escola e outra.

Ele não foi inventado por nós. As perguntas abaixo seguem as dimensões que o próprio Ministério da Educação usa para avaliar qualidade na educação infantil, nos documentos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) e Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil (2018). O que fizemos foi traduzir cada dimensão em coisas que se pode perguntar ou observar numa visita.

Antes de ir: o que já dá para saber sem sair de casa#

Cada escola deste guia tem uma ficha com o que ela declarou ao Censo Escolar: quantas crianças há por professor na creche, quantas turmas, quanto das matrículas é em período integral e quais itens de estrutura ela diz ter. Leia a ficha antes da visita. Ela não diz se a escola é boa — o Censo é declaratório e ninguém do INEP confere o parque — mas diz o que perguntar.

  • Se a razão de crianças por docente está bem acima da mediana da cidade, pergunte quantos adultos ficam de fato em cada sala, contando auxiliares.
  • Se a escola não declarou sala de repouso, pergunte onde e como as crianças dormem.
  • Se não declarou banheiro adequado à educação infantil, peça para ver o banheiro e o trocador.

1. As pessoas: quem cuida e quantos são#

Nenhum item de estrutura pesa tanto quanto o adulto que passa o dia com a criança. Os Indicadores dedicam uma dimensão inteira à formação e às condições de trabalho de professoras e demais profissionais.

  • Quantos adultos ficam na sala da faixa etária do meu filho, durante o dia todo? Pergunte também no horário de almoço e no fim da tarde, quando as equipes costumam revezar.
  • A professora responsável tem formação em pedagogia ou magistério? A LDB exige formação em nível superior ou, no mínimo, magistério de nível médio para quem atua como docente na educação infantil.
  • Há quanto tempo a equipe está na escola? Rotatividade alta significa que a criança vai trocar de referência adulta com frequência — e, para bebês, o vínculo com poucos adultos estáveis faz diferença.
  • Quem substitui quando a professora falta?

2. A rotina: como é um dia de verdade#

Peça para a escola descrever um dia inteiro, da chegada à saída, para a turma do seu filho. Uma rotina bem pensada tem horários previsíveis, mas não é uma fila de atividades dirigidas: as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil definem interações e brincadeira como os eixos do trabalho com crianças pequenas.

  • Quanto tempo as crianças passam ao ar livre por dia?
  • Há tempo de brincadeira livre, ou o dia é todo de atividades conduzidas?
  • Como funciona o sono — horário fixo para todos ou respeito ao ritmo de cada bebê?
  • As crianças usam telas (TV, tablet)? Em que momentos e por quanto tempo?
  • Como a escola registra o que a criança fez e como isso chega à família? A LDB prevê avaliação por acompanhamento e registro do desenvolvimento, sem objetivo de promoção.

3. O espaço: o que olhar enquanto a escola fala#

Enquanto a pessoa que conduz a visita explica, olhe em volta. Estas são coisas que se observam, não que se perguntam:

  • Os brinquedos e livros estão ao alcance das crianças ou guardados no alto?
  • As produções das crianças estão expostas na altura delas?
  • O parque tem sombra? O piso é seguro para queda?
  • Tomadas protegidas, portões com trava, produtos de limpeza fora de alcance.
  • O trocador fica perto de uma pia? Há sabonete e papel?
  • Os berços ou colchonetes têm espaço entre si?

Se possível, visite num horário em que as crianças estejam na escola — não no fim do dia, com salas vazias. Uma sala arrumada para visita diz pouco; uma sala funcionando diz muito.

4. Alimentação e saúde#

  • Quem monta o cardápio? Na rede pública, a alimentação escolar segue o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que exige nutricionista responsável técnico e proíbe açúcar, mel e adoçante nas preparações para crianças até três anos.
  • Na rede privada, pergunte se há nutricionista e peça o cardápio de uma semana.
  • Como a escola lida com alergias e restrições alimentares?
  • Qual é a regra quando a criança fica doente? Febre a partir de quanto, e em quanto tempo a família precisa buscar?
  • A escola administra remédio? Com qual autorização?
  • Se o bebê ainda mama no peito, a escola recebe e armazena leite materno?

5. A relação com a família#

A última dimensão dos Indicadores é a cooperação com as famílias. Na prática:

  • Como é a adaptação? Quantos dias, com a família presente por quanto tempo, e quem decide quando encerrar? Escola que propõe deixar a criança o dia inteiro desde o primeiro dia merece mais perguntas.
  • A família pode entrar na sala? Em que momentos?
  • Como a escola avisa sobre um incidente — uma queda, uma mordida?
  • Há reuniões ou conversas individuais ao longo do ano?

6. Na rede privada: o contrato#

Antes de assinar, peça o contrato e leia em casa, sem pressa.

  • O que está incluído na mensalidade e o que é cobrado à parte (material, alimentação, fraldas, período estendido, uniforme)?
  • Qual é o reajuste anual e quando ele é aplicado?
  • Como funciona o cancelamento, e há multa?
  • Se a criança tem deficiência: a Lei Brasileira de Inclusão proíbe escolas privadas de cobrar qualquer valor adicional em mensalidade, anuidade ou matrícula por isso.

Depois da visita#

Anote as respostas no mesmo dia, antes de visitar a próxima escola. Depois de três visitas, as respostas se misturam. Compare o que cada escola disse com o que ela declarou ao Censo — se a escola diz ter parque e não declarou parque, ou o contrário, vale perguntar por quê.

E desconfie de duas coisas: da escola que não deixa ver as salas funcionando, e da escola que não consegue dizer quantos adultos ficam com a turma do seu filho.

Como este número foi apurado

As seis partes do roteiro seguem as dimensões dos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (MEC, 2009) e dos Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil (MEC, 2018). As referências legais (LDB, PNAE, LBI) foram conferidas no texto das normas. As perguntas são redação nossa; não há nenhuma avaliação de escola específica neste texto.

Fontes

  • MEC. Indicadores da Qualidade na Educação Infantil, 2009.
  • MEC. Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil, 2018.
  • Resolução CNE/CEB nº 5/2009 (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil).
  • Lei 9.394/1996 (LDB), arts. 31 e 62.
  • Resolução CD/FNDE nº 4/2026 (PNAE), arts. 15 e 18.
  • Lei 13.146/2015 (LBI), art. 28, § 1º.

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