Pular para o conteúdo
ACEI A Casa da Educação Infantil

Doenças de creche: por que a criança adoece tanto no primeiro ano e quando afastar

Publicado em · ACEI · A Casa da Educação Infantil

Doenças de creche: por que a criança adoece mais no primeiro ano, as infecções comuns, quando afastar e sinais de alerta, segundo SBP e Ministério da Saúde.

“Meu filho entrou na creche e não para de ficar doente.” A frase é comum entre famílias no primeiro ano de creche, e tem explicação. As chamadas doenças de creche são, na maior parte, infecções que passam facilmente entre crianças pequenas em convívio próximo: resfriados, otites, diarreias, doença mão-pé-boca. Este guia reúne o que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o Ministério da Saúde e a literatura científica dizem sobre por que isso acontece, quais são as infecções mais frequentes, quando afastar a criança e o que ajuda a prevenir. Ele não substitui a consulta: qualquer dúvida sobre sintomas deve ir para o pediatra.

Por que a criança adoece tanto no primeiro ano de creche#

Em material de 2018, a SBP resume o fenômeno: na creche “há uma frequência maior de adoecimento, antecipando muitas infecções, especialmente por vírus”. Três fatores explicam isso:

  • Sistema imune em formação. Bebês e crianças pequenas ainda estão conhecendo boa parte dos vírus comuns. Cada contato novo pode virar uma infecção.
  • Convívio próximo. Crianças pequenas levam a mão e os brinquedos à boca, dividem objetos e ficam perto umas das outras o dia todo.
  • Fraldas e alimentação. Trocas de fralda e refeições coletivas facilitam a transmissão de vírus e bactérias que passam pelas fezes e pelas mãos.

Uma revisão publicada no Jornal de Pediatria em 2007 (Nesti e Goldbaum) estimou que crianças que frequentam creches e pré-escolas têm risco de duas a três vezes maior de adquirir infecções respiratórias, otite média aguda e doença diarreica do que crianças cuidadas em casa. A SBP também lista frequentar creche ou escolinha entre os fatores de risco para infecções respiratórias de repetição, ao lado da maior exposição a agentes infecciosos nos primeiros anos de vida, especialmente no outono e no inverno.

As doenças de creche mais comuns#

Grupo Exemplos Como passa
Infecções respiratórias Resfriados, faringites, sinusites, bronquites, bronquiolite, pneumonia Gotículas de tosse e espirro, mãos e objetos
Otite média aguda Infecção do ouvido médio Pergunte ao pediatra sobre o caso da criança
Doença diarreica Gastroenterites por vírus e bactérias Via fecal-oral: mãos, objetos, água ou alimento contaminados
Doença mão-pé-boca Febre seguida de manchas e bolhas nas mãos, pés e boca Contato com saliva, fezes, objetos e alimentos contaminados
Outras Hepatite A, varicela (catapora) Variam conforme o agente

Os grupos da tabela seguem a revisão de Nesti e Goldbaum. Os dados de transmissão da mão-pé-boca são da SBP.

Bronquiolite

Segundo o Ministério da Saúde, a bronquiolite viral aguda é uma doença respiratória que afeta crianças menores de dois anos. O principal agente é o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por até 80% dos casos. Os sintomas incluem coriza, tosse, espirros, febre, nariz entupido, chiado no peito e respiração rápida ou difícil.

Doença mão-pé-boca

A SBP descreve a mão-pé-boca como uma doença viral que atinge geralmente crianças de até cinco anos. Começa com febre; depois aparecem manchas vermelhas e bolhas, normalmente nos pés, nas mãos e ao redor dos lábios, às vezes com aftas na boca. O período de incubação é de três a seis dias.

Quando afastar a criança da creche#

A regra geral da SBP, em texto de 2025 do Departamento Científico de Saúde Escolar, é direta: criança doente não deve ir à escola. A entidade também orienta que a família comunique à escola a suspeita de doença.

Para a mão-pé-boca, a SBP diz que a recomendação dos médicos é manter a criança em repouso em casa enquanto durarem os sintomas.

Para outras doenças, os prazos variam, e é aqui que muitas famílias se confundem. A revisão de Nesti e Goldbaum observa que o afastamento de crianças doentes é um tema controverso e que há evidência científica para recomendar afastamento apenas em algumas doenças. Na prática:

  • O pediatra é quem avalia cada caso e diz quando a criança pode voltar.
  • Cada escola e cada rede pode ter regras próprias, como exigir atestado para o retorno. Pergunte na matrícula e peça a regra por escrito.
  • Uma criança abatida, sem conseguir participar da rotina, precisa ficar em casa, mesmo sem diagnóstico definido.

A SBP define febre como temperatura axilar acima de 37,3 °C. Dar antitérmico para conseguir levar a criança à creche esconde o sintoma e atrasa a percepção da equipe; se houve febre, avise a escola e siga a orientação do pediatra.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento#

Para infecções respiratórias em bebês, o Ministério da Saúde lista sinais que pedem avaliação médica:

  • dificuldade para respirar ou respiração muito rápida;
  • chiado intenso no peito;
  • lábios ou unhas arroxeados;
  • sonolência excessiva ou prostração;
  • dificuldade para mamar ou se alimentar, com menor ingestão de líquidos;
  • febre persistente ou piora dos sintomas.

Se a criança adoece com muita frequência, converse com o pediatra. A SBP tem critérios clínicos para investigar infecções respiratórias de repetição, e só o médico pode avaliar se o número de episódios está dentro do esperado para a idade e a exposição.

O que ajuda a prevenir#

Vacinas em dia

O Calendário Nacional de Vacinação do SUS inclui, nos primeiros anos, vacinas contra rotavírus, pneumococo, meningococo C, sarampo, caxumba e rubéola, hepatite A e varicela, entre outras. O Ministério da Saúde orienta que crianças de 6 meses a menores de 6 anos tomem a vacina da gripe todo ano. Para proteger bebês contra o VSR, o SUS oferece vacina para gestantes, e o Ministério da Saúde anunciou o anticorpo nirsevimabe para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas. Confira a caderneta de vacinação antes da entrada na creche e em cada consulta.

Higiene na escola e em casa

A revisão de Nesti e Goldbaum aponta que medidas simples reduzem a transmissão: higiene das mãos, rotina padronizada de troca de fraldas em área separada e limpa, lenços descartáveis para assoar o nariz e separação entre quem troca fraldas e quem manipula alimentos. A SBP acrescenta higiene das mãos e das roupas e ventilação dos ambientes. Na visita à creche, observe se há pia com sabão perto do fraldário e das salas. Nosso guia do berçário traz outros pontos de observação.

Aleitamento materno

O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses e amamentação até os dois anos ou mais. Se a família quiser manter a amamentação depois da entrada na creche, vale combinar com a escola como o leite ordenhado será recebido.

O que este guia não diz#

  • Não diz quantas infecções por ano são normais para cada criança. Isso depende da idade, da exposição e da saúde de cada uma. Só o pediatra avalia.
  • Não traz prazos de afastamento para cada doença. Eles variam e dependem da avaliação médica e das regras da escola.
  • Não diz que a creche faz mal à saúde. A SBP descreve a creche como espaço de desenvolvimento integral; o adoecimento mais frequente no início é um efeito conhecido do convívio.
  • Não faz diagnóstico nem indica tratamento.

Os primeiros meses de creche também costumam coincidir com a adaptação emocional. Veja adaptação na creche: como funciona e ansiedade de separação na entrada da creche.

Perguntas frequentes#

Por que meu filho fica doente toda semana depois que entrou na creche?

Crianças pequenas ainda estão conhecendo muitos vírus comuns, e o convívio próximo na creche facilita a transmissão. A SBP descreve que a creche antecipa muitas infecções, especialmente por vírus. Se os episódios forem muito frequentes ou intensos, converse com o pediatra.

Criança com febre pode ir para a creche?

A orientação da SBP é que criança doente não vá à escola. A SBP considera febre a temperatura axilar acima de 37,3 °C. Procure o pediatra para avaliar a causa e saber quando a criança pode voltar.

Quanto tempo a criança com mão-pé-boca fica sem ir à creche?

A SBP informa que a recomendação dos médicos é manter a criança em casa, em repouso, enquanto durarem os sintomas. O pediatra define o momento do retorno, e a escola pode ter regras próprias.

A imunidade melhora com o tempo na creche?

A SBP descreve que a creche antecipa infecções, especialmente virais, que a criança teria em algum momento. Não há um prazo fixo para que os episódios fiquem menos frequentes, e isso varia de criança para criança. O acompanhamento com o pediatra é o melhor caminho.

Como este número foi apurado

As orientações sobre adoecimento, afastamento, febre e mão-pé-boca foram conferidas em textos da SBP; bronquiolite, sinais de alerta, vacinas e amamentação, em páginas do Ministério da Saúde; o risco de duas a três vezes e as medidas de higiene, em revisão do Jornal de Pediatria (2007). Não trazemos prazos de afastamento por doença nem número normal de infecções por ano, que dependem de avaliação médica.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Como lidar com doenças infecciosas durante o período de aulas?, Departamento Científico de Saúde Escolar, 2025.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. O que é a doença mão-pé-boca, comum em creches e pré-escolas, 2018.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Babá, creche ou escolinha? Dilema é novo tema do podcast da revista Residência Pediátrica, 2018.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Como abordar a criança com infecção respiratória de repetição.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento científico Manejo da febre aguda, Departamentos de Pediatria Ambulatorial e Infectologia.
  • Ministério da Saúde. Bronquiolite, página Saúde de A a Z.
  • Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação.
  • Ministério da Saúde. Aleitamento materno, página Saúde de A a Z.
  • Nesti MM, Goldbaum M. As creches e pré-escolas e as doenças transmissíveis. Jornal de Pediatria, 2007; 83(4): 299-312.

Achou um erro?

Escreva para contato@acei.com.br. Erro confirmado é corrigido e a correção fica registrada no rodapé do texto, com a data. Não apagamos histórico.