O que levar para a creche: lista prática por idade, do berçário à pré-escola
Publicado em · ACEI · A Casa da Educação Infantil
O que levar para a creche no berçário, no maternal e na pré: lista por idade, o que evitar segundo a SBP e o que perguntar à escola antes de montar a mochila.

Saber o que levar para a creche evita correria na primeira semana e ajuda a criança a se sentir em casa mais depressa. A lista muda conforme a idade: um bebê de berçário precisa de fraldas e mudas de roupa em quantidade, enquanto uma criança da pré-escola precisa de pouco mais que uma muda extra e uma garrafinha. Este guia organiza os itens por turma e mostra, com base em recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Ministério da Saúde, o que é melhor deixar em casa.
Antes de montar a mochila: a lista da escola vem primeiro#
Não existe uma lista nacional de itens obrigatórios para a creche. Cada escola, pública ou particular, define o que pede às famílias, e as redes municipais também têm regras próprias. Por isso, a primeira tarefa é pedir a lista oficial da unidade e perguntar o que ela já fornece.
Na rede pública, as refeições são servidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que tem cardápio planejado e regras próprias. Muitas vezes a família não precisa mandar lanche nenhum. Em escolas particulares, a regra varia: algumas oferecem todas as refeições, outras pedem lancheira. Se quiser entender como funciona o cardápio da rede pública, veja nosso guia sobre alimentação na creche e as regras do PNAE.
Três perguntas resolvem boa parte das dúvidas na matrícula:
- A escola fornece fraldas, lenços, sabonete e creme para assaduras, ou a família manda?
- A escola aceita alimento vindo de casa? Em que situações?
- Qual é a regra para dar remédio? A escola exige receita ou autorização por escrito?
O que levar para a creche no berçário#
No berçário, a mochila é praticamente um estoque diário. Bebês trocam de roupa várias vezes por dia por causa de golfadas, escapes de fralda e alimentação. Itens mais comuns nas listas:
- Fraldas na quantidade que a escola indicar, se ela não fornecer.
- Lenços umedecidos e creme para assaduras, quando a escola pede. Se o creme foi indicado pelo pediatra, avise.
- Mais de uma muda de roupa completa: body, calça, meias e um agasalho leve, adequados ao clima da cidade.
- Mamadeira ou copo de transição, se a criança usa, com nome.
- Leite materno ordenhado ou fórmula, conforme o combinado com a escola e com o pediatra. Pergunte como a escola recebe, guarda e oferece o leite.
- Chupeta com estojo, se o bebê usa.
- Saco plástico ou sacola impermeável para trazer roupa suja de volta.
Sobre o sono, há um ponto de segurança importante. A SBP recomenda que menores de um ano durmam de barriga para cima, em berço de superfície firme e sem objetos fofos, como travesseiros, “naninhas”, cobertas e lençóis soltos. Um paninho de apego pode ajudar na adaptação enquanto o bebê está acordado, mas combine com a equipe para que ele não fique dentro do berço na hora de dormir.
O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses e amamentação até os dois anos ou mais, complementada com outros alimentos a partir dos seis meses. Se a família quer continuar amamentando depois do retorno ao trabalho, vale conversar com a escola logo na matrícula sobre como o leite ordenhado será recebido.
Lista para o maternal (de 1 a 3 anos)#
Entre 1 e 3 anos a criança anda, explora, brinca com água e areia e, em algum momento, começa o desfralde. A lista fica assim:
- Duas mudas de roupa, incluindo calcinha ou cueca extras quando o desfralde começar.
- Fraldas, enquanto ainda forem usadas, na quantidade que a escola pedir.
- Garrafinha de água com nome e bico fácil de usar.
- Chapéu ou boné para atividades ao ar livre.
- Protetor solar, se a escola usar e se a criança já tiver mais de seis meses. A SBP contraindica protetor solar para bebês com menos de seis meses.
- Escova de dentes, se a escola faz escovação na rotina.
- Calçado fácil de tirar e pôr, que a criança consiga usar com autonomia.
Se a escola pedir lancheira, lembre que o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, orienta que nos dois primeiros anos frutas e bebidas não sejam adoçadas com nenhum tipo de açúcar. O mesmo material do ministério orienta evitar alimentos ultraprocessados nessa faixa de idade. Os temas de desfralde e como combinar com a creche e de lancheira saudável terão guias próprios no blog.
O que levar para a pré-escola (4 e 5 anos)#
Na pré-escola a criança já usa o banheiro sozinha na maior parte do tempo e carrega a própria mochila. A lista diminui:
- Uma muda de roupa completa para imprevistos.
- Garrafinha de água.
- Agenda ou caderno de recados, se a escola usar papel.
- Lancheira, apenas se a escola não servir todas as refeições.
- Material escolar, quando houver lista. A lista de material tem regras próprias e será tema de um guia específico.
Uma mochila leve e com poucos compartimentos ajuda a criança a encontrar as próprias coisas, o que conta como aprendizado de autonomia nessa idade.
Resumo por turma#
| Item | Berçário | Maternal | Pré-escola |
|---|---|---|---|
| Fraldas e lenços (se a escola não fornecer) | Sim | Enquanto usar | Não |
| Mudas de roupa | Mais de uma | Duas | Uma |
| Mamadeira, copo ou leite | Conforme combinado | Às vezes | Não |
| Garrafinha de água | Às vezes | Sim | Sim |
| Chapéu e protetor solar | Chapéu; protetor só após 6 meses | Sim, se a escola usar | Sim, se a escola usar |
| Lancheira | Raramente | Só se a escola pedir | Só se a escola pedir |
O que não levar para a creche#
- Colares, pulseiras, brincos e presilhas pequenas. A SBP alerta que acessórios em bebês podem trazer risco de engasgo, ingestão ou perfuração, e que modelo, formato e material precisam ser avaliados. Em ambiente coletivo, o mais simples é deixar em casa.
- Brinquedos pequenos ou com peças soltas. Além do risco para bebês da mesma sala, costumam se perder e gerar conflito.
- Remédios sem combinar com a escola. Nunca coloque medicamento na mochila sem avisar a equipe e seguir a regra da unidade.
- Travesseiros e objetos fofos para o berço de bebês com menos de um ano, pela recomendação de sono seguro da SBP.
- Doces e bebidas adoçadas para menores de dois anos, conforme o Guia Alimentar do Ministério da Saúde.
Identificação e informações de saúde#
Coloque nome em tudo: roupas, mamadeiras, garrafinhas, chupetas e mochila. Etiquetas termocolantes ou caneta para tecido resolvem. Em uma sala com várias crianças de tamanho parecido, peças sem nome se misturam com facilidade.
Tão importante quanto a mochila é o que a família informa à escola por escrito: alergias e intolerâncias alimentares, medicamentos de uso contínuo, telefones de contato atualizados e quem está autorizado a buscar a criança. No caso das escolas atendidas pelo PNAE, a Resolução CD/FNDE nº 4/2026 prevê que os cardápios sejam adaptados para estudantes com necessidades alimentares especiais diagnosticadas, como alergias, intolerâncias e doença celíaca. Para isso, a escola precisa saber do diagnóstico.
Os primeiros dias também pedem preparo emocional, não só material. O nosso guia sobre adaptação na creche explica como costuma funcionar esse período.
O que esta lista não diz#
- Não diz quantas fraldas ou mudas são necessárias. Isso depende da escola, do tempo de permanência e da criança.
- Não substitui a lista oficial da unidade. Se houver diferença, vale a da escola, e cabe perguntar o motivo de itens que pareçam excessivos.
- Não traz marcas nem produtos recomendados. Não indicamos produtos.
- Não é orientação médica. Leite, fórmula, cremes e protetor solar devem seguir o que o pediatra orientar para cada criança.
Perguntas frequentes#
A creche pública fornece fraldas?
Depende da rede e da unidade. Algumas prefeituras fornecem, outras pedem que a família mande. Pergunte na matrícula e confira as orientações da secretaria de educação do seu município.
Posso mandar naninha para a creche?
Em geral, sim, como objeto de conforto na adaptação. Para bebês com menos de um ano, porém, a SBP recomenda que o berço fique sem objetos fofos na hora de dormir. Combine com a equipe onde o paninho fica durante o sono.
Quantas mudas de roupa devo mandar para o berçário?
Mais de uma muda completa costuma ser o mínimo, porque bebês se sujam com frequência. A quantidade exata é a que a escola indicar. Observe as primeiras semanas: se a roupa extra acabar antes do fim do dia, aumente.
Posso mandar lanche para a creche pública?
A alimentação da rede pública é servida pelo PNAE, com cardápio planejado. Cada escola define se aceita alimento de casa e em que situações. Pergunte à direção antes de mandar qualquer coisa.
Como este número foi apurado
As recomendações de sono seguro, protetor solar e acessórios foram conferidas em textos da Sociedade Brasileira de Pediatria; as de amamentação e açúcar, em páginas do Ministério da Saúde; a regra de cardápio adaptado, na Resolução CD/FNDE nº 4/2026. Não existe lista nacional obrigatória: quantidades e itens dependem de cada escola, e não temos esse dado por unidade.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Bebê deve dormir de barriga para cima ou de lado? Pediatras reforçam recomendações para o sono seguro, 2023.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Afinal, bebês podem ou não podem usar protetor solar?, 2015.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Colares, pulseiras e brincos podem representar perigo aos bebês?, 2022.
- Ministério da Saúde. Aleitamento materno, página Saúde de A a Z.
- Ministério da Saúde. Porque crianças menores de 2 anos não devem comer açúcar?, 2021, com base no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos.
- FNDE. Resolução CD/FNDE nº 4, de 26 de fevereiro de 2026 (PNAE), art. 17, § 1º.
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